Sentir-me-ia melhor se não estivesse a trabalhar agora.
Não quero com isto dizer que não gosto de trabalhar.
Pelo contrário, até gosto, de certa forma. Sou responsável, por vezes perfeccionista.
Considero-me também altruísta. E isso cansa. Cansa porque apesar de estar ocupado e ser remunerado apenas no final do mês considero que não estou a aproveitar da melhor maneira o meu tempo.
Gostaria de me dedicar um pouco mais a outras actividades tais como sair para espairecer, por um lado. Por outro lado, aprofundar e consolidar os meus conhecimentos de informática e de matemática.
Não obstante ter estudado várias cadeiras de matemática na Faculdade e de ter obtido aproveitamento em todas (excepto uma), cheguei à triste e real conclusão: ainda não domino cabalmente todos os conceitos.
E isso preocupa-me.
Preocupa-me porque não quero ser um engenheiro do tipo Guterres (que fugiu literalmente) ou Sócrates (que tem dado vários espectáculos gratuitos).
Preocupa-me porque a matemática é uma ciência muito bonita e poderosa e divertida mas que como tudo requer tempo.
E actualmente o que mais preciso é de tempo.
Por isso, nada melhor que rever todos os conceitos e fazer um trabalho de pesquisa exaustiva e sobretudo muita, muita prática.
Mas essa tarefa tem se revelado praticamente impossível.
Porquê?
Devido essencialmente o factor tempo.
Preciso de tempo, mais tempo, de muito tempo.
De tempo para dedicar-me um pouco mais aos outros e... como podem calcular, essa necessidade também me é extensiva.
Porquê que neste país só fazem reparos quando algo está mal?
Porquê que neste país as pessoas só fazem críticas e normalmente destrutivas?
É espantoso como é esporádico verem-se manifestações de incentivo.
Por exemplo, no posto de trabalho, se se erra ou se se comete alguma falha (por mais insignificante que seja) automaticamente somos chamados à razão. Por outro lado, quando o trabalho é bem feito, quando nos esmeramos ou quando excedemos as expectativas NUNCA é proferida qualquer palavra de agradecimento, apreço ou incentivo.
A norma tem sido: se houver silêncio, i.e., se não houver qualquer feedback, então, por incrível que possa parecer, estamos a trabalhar bem.
. Um pouco de incentivo tam...